Irmão que usa sozinho imóvel herdado deve pagar aluguel aos demais herdeiros, decide TJSP
- Mozer Advogados

- há 4 dias
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A 4ª Câmara de Direito Privado do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP) manteve decisão que determinou o pagamento de aluguel por um herdeiro que utilizava, de forma exclusiva, imóvel recebido por herança.
No caso analisado, o homem ocupava sozinho o imóvel herdado após o falecimento do pai. A irmã, também herdeira, buscou indenização pelo uso exclusivo do bem. O TJSP entendeu que, mesmo sem a abertura formal do inventário, os herdeiros já possuem direitos sobre o patrimônio transmitido com a morte.

No Mozer Advogados, sob a condução do Dr. Elias de Oliveira Mozer, acompanhamos decisões relevantes relacionadas ao Direito das Sucessões, inventário, herança, partilha de bens e conflitos patrimoniais familiares.
O que aconteceu no caso
Após o falecimento do pai, um dos filhos passou a utilizar exclusivamente o imóvel deixado como herança.
A irmã, também herdeira, alegou que foi privada do uso do bem comum e pediu compensação financeira pelo período em que o irmão ocupou sozinho o imóvel.
A Justiça fixou o pagamento de R$ 500 mensais, devidos desde janeiro de 2022, data da notificação, até setembro de 2024, quando ocorreu a venda do imóvel.
A ausência de inventário impede a cobrança?
Não.
O argumento do herdeiro era de que, como não havia inventário aberto em relação ao imóvel, os irmãos ainda não seriam formalmente condôminos do bem.
Esse entendimento foi afastado pelo TJSP.
A legislação brasileira adota o princípio da saisine, segundo o qual a herança transmite-se automaticamente aos herdeiros no momento da morte. Assim, mesmo antes da partilha formal, os sucessores já passam a exercer direitos sobre o patrimônio deixado pelo falecido.
Uso exclusivo de imóvel herdado pode gerar indenização?
Sim.
Quando um herdeiro utiliza sozinho um imóvel comum, impedindo ou dificultando o uso pelos demais, pode surgir o dever de pagar indenização correspondente à fração dos outros herdeiros.
Na prática, essa indenização costuma ser tratada como uma espécie de aluguel pelo uso exclusivo do bem comum.
O objetivo não é punir o herdeiro que ocupa o imóvel, mas evitar enriquecimento sem causa e compensar os demais sucessores pela impossibilidade de usufruir do patrimônio herdado.
A notificação é importante?
Sim.
Em muitos casos, o pagamento pelo uso exclusivo do imóvel passa a ser devido após a ciência inequívoca do ocupante, geralmente por meio de notificação extrajudicial ou judicial.
No caso analisado, o TJSP fixou o marco inicial em janeiro de 2022, data da notificação enviada ao herdeiro.
Esse ponto demonstra a importância da documentação adequada em conflitos sucessórios.
Por que a decisão é relevante
A decisão reforça que a demora na abertura do inventário não pode beneficiar o herdeiro que utiliza sozinho o patrimônio comum.
Caso contrário, a ausência de inventário poderia se transformar em um meio de apropriação exclusiva do bem, prejudicando os demais herdeiros.
O entendimento possui impacto direto em situações envolvendo:
imóveis herdados;
inventários demorados;
herdeiro morando sozinho no imóvel;
disputa entre irmãos;
cobrança de aluguel entre herdeiros;
venda posterior do bem;
partilha de patrimônio familiar.
Conclusão
A decisão do TJSP reforça que o imóvel herdado pertence aos herdeiros desde a abertura da sucessão, ainda que o inventário não tenha sido formalmente concluído.
Quando apenas um herdeiro utiliza o bem de forma exclusiva, os demais podem buscar compensação financeira proporcional, especialmente quando houver notificação prévia e comprovação do uso individual do imóvel.
O entendimento fortalece a proteção patrimonial dos herdeiros e evita que a demora no inventário seja usada como justificativa para ocupação exclusiva de bem comum.
O Mozer Advogados, sob a condução do Dr. Elias de Oliveira Mozer, atua em demandas relacionadas ao Direito das Sucessões, incluindo inventário judicial e extrajudicial, partilha de bens, conflitos entre herdeiros, uso exclusivo de imóvel herdado e regularização patrimonial.
Cada situação deve ser analisada individualmente, considerando as particularidades do caso concreto e a documentação apresentada.



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