Desenrola Adimplentes: governo cria crédito mais barato para trabalhadores informais que mantêm as contas em dia
- Mozer Advogados

- há 5 dias
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O Governo Federal anunciou uma nova etapa do Novo Desenrola Brasil voltada a pessoas que continuam pagando suas dívidas, mas enfrentam juros elevados no crédito pessoal.
Chamado de Desenrola Adimplentes, o programa foi criado para atender especialmente trabalhadores informais que não possuem vínculo CLT e precisam reorganizar empréstimos sem necessariamente já estarem inadimplentes.
A proposta muda a lógica tradicional das políticas de renegociação. Em vez de atuar apenas quando a dívida já está atrasada, o programa busca oferecer alternativa de crédito mais barato para evitar que o consumidor entre em inadimplência.

O que é o Desenrola Adimplentes?
O Desenrola Adimplentes permite que o trabalhador substitua uma dívida de crédito pessoal mais cara por uma nova operação com juros limitados e condições de pagamento mais favoráveis.
Na prática, o novo empréstimo será utilizado para quitar integralmente o contrato anterior. O objetivo é reduzir o peso das parcelas mensais e preservar a capacidade de pagamento do consumidor.
O programa não representa perdão automático da dívida. Trata-se de uma troca de operação de crédito, com regras específicas e análise da instituição financeira participante.
Quem pode participar?
O foco da medida são trabalhadores informais que não possuam vínculo CLT e que não sejam servidores públicos, aposentados ou pensionistas do INSS.
Para se enquadrar, o consumidor deve preencher requisitos como:
possuir crédito pessoal com saldo devedor;
ter pago pelo menos quatro parcelas do contrato;
estar em dia ou com atraso de no máximo 90 dias;
possuir dívida com saldo devedor de até R$ 15 mil por instituição financeira.
A instituição financeira também poderá realizar análise de crédito antes de aprovar a nova operação.
Qual é a taxa de juros prevista?
A nova operação terá taxa máxima de juros de 1,99% ao mês.
O percentual é relevante porque muitos trabalhadores informais recorrem a modalidades de crédito pessoal com taxas significativamente mais elevadas, sobretudo quando não possuem renda formal comprovada ou acesso a linhas consignadas.
Mesmo assim, o consumidor deve observar o custo efetivo total do contrato. Juros menores são importantes, mas não são o único fator que deve ser considerado antes da contratação.
Como funcionará a nova parcela?
O programa prevê que a nova prestação seja de, no máximo, 90% do valor da parcela original.
Além disso, o prazo de pagamento poderá ser ampliado de acordo com o tempo restante do contrato anterior.
Essa regra busca garantir que a troca de crédito gere alívio efetivo no orçamento mensal, e não apenas transfira a dívida para uma nova instituição.
Também poderá haver oferta de crédito adicional de até 50% do saldo devedor original, desde que a nova prestação continue dentro do limite definido pelo programa.
Atenção: crédito adicional pode aumentar a dívida
A possibilidade de receber valor adicional pode parecer atraente, especialmente para quem precisa resolver despesas urgentes.
Mas o crédito extra deve ser contratado com cautela.
Mesmo com juros menores, um valor maior de financiamento pode aumentar o custo final da dívida e prolongar o comprometimento da renda. Antes de aceitar qualquer oferta, o consumidor deve avaliar se realmente precisa do valor adicional.
A prioridade deve ser reduzir o peso do empréstimo atual, e não criar uma obrigação financeira maior sem planejamento.
O que avaliar antes de aderir ao programa
Antes de substituir a dívida, é recomendável conferir:
taxa de juros mensal e anual;
custo efetivo total da nova operação;
prazo final de pagamento;
valor total a ser pago;
existência de seguros, tarifas ou serviços agregados;
impacto da contratação adicional no orçamento;
consequências em caso de atraso;
possibilidade de quitação antecipada.
Uma parcela menor pode trazer alívio imediato, mas um prazo muito longo pode elevar o custo total do empréstimo. A comparação deve considerar o contrato inteiro, não apenas o valor mensal.
O programa vale para qualquer tipo de dívida?
Não.
O Desenrola Adimplentes é direcionado ao crédito pessoal não consignado, dentro dos requisitos previstos pelo programa.
Dívidas de cartão de crédito, cheque especial, financiamentos, empréstimos consignados ou contratos com características diferentes podem seguir regras próprias e nem sempre estarão incluídos nessa modalidade.
Por isso, é importante confirmar diretamente com a instituição financeira se o contrato se enquadra nas condições anunciadas.
Fies Empreendedor também foi anunciado
Junto ao Desenrola Adimplentes, o governo apresentou o Fies Empreendedor, uma linha de crédito destinada a egressos do Fies que estejam em fase de amortização e tenham mantido regularidade nos pagamentos.
A iniciativa não prevê perdão ou desconto da dívida estudantil. O objetivo é oferecer crédito para que profissionais já formados possam iniciar ou fortalecer atividades empreendedoras.
Entre as condições anunciadas estão juros de 0,87% ao mês, crédito de até R$ 80 mil para pessoa física e até R$ 180 mil para pessoa jurídica, observados os critérios de elegibilidade.
Como o Mozer Advogados atua em contratos de crédito
O Mozer Advogados, sob a condução do Dr. Elias de Oliveira Mozer, atua em demandas relacionadas ao Direito do Consumidor, contratos bancários, análise de empréstimos, renegociação de dívidas, cobranças indevidas, superendividamento e responsabilidade civil em relações financeiras.
Cada situação deve ser analisada individualmente, considerando as condições do contrato, o histórico de pagamento, as ofertas apresentadas e a documentação disponível.
Conclusão
O Desenrola Adimplentes cria uma alternativa para trabalhadores informais que mantêm seus pagamentos em dia, mas convivem com juros elevados no crédito pessoal.
A proposta pode ajudar a reduzir parcelas e reorganizar o orçamento. Porém, a adesão deve ser feita com atenção ao custo efetivo total, ao prazo da nova dívida e à real necessidade de contratar crédito adicional.
Trocar uma dívida cara por outra mais barata pode ser positivo. Mas crédito responsável exige informação, planejamento e compreensão clara das condições contratadas.


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